Micro e pequenos negócios enfrentam uma série de mudanças que podem afetar seus custos, sua organização e suas decisões de crescimento. Nesse cenário, o acompanhamento do contador se torna fundamental para evitar surpresas e planejar os próximos passos.
As pequenas empresas brasileiras podem enfrentar dificuldades para acompanhar as transformações que estão ocorrendo no ambiente de negócios. Essa é a avaliação de Reynaldo Lima Jr., presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon).
Em entrevista ao Poder360, o representante da entidade destacou que, enquanto grandes empresas já começam a se organizar para as mudanças, muitos micro e pequenos negócios ainda têm dúvidas e não sabem exatamente como se preparar.
A preocupação envolve diferentes temas: a Reforma Tributária, as possíveis consequências das mudanças na jornada de trabalho e a necessidade de atualização dos limites de faturamento do Simples Nacional.
Para empresas com estruturas menores e recursos financeiros limitados, entender essas mudanças deixou de ser apenas uma questão burocrática. O planejamento pode fazer diferença na rentabilidade, na capacidade de crescimento e na continuidade das operações.
Reforma Tributária: por que as pequenas empresas precisam se preparar?
A Reforma Tributária representa uma transformação importante na forma como os tributos sobre o consumo são cobrados no Brasil.
Entre as principais mudanças está a criação de um sistema de IVA Dual, formado pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal.
A transição será realizada por etapas, com alterações que ocorrerão ao longo dos próximos anos. Isso significa que as empresas precisarão acompanhar novas regras, adaptar procedimentos e avaliar os efeitos da tributação sobre suas atividades.
Segundo o presidente da Fenacon, um dos problemas é que muitas pequenas empresas ainda não compreenderam a dimensão dessas mudanças.
O risco é deixar a preparação para a última hora, quando ajustes em sistemas, documentos fiscais, preços e processos internos poderão exigir mais tempo e recursos.
O empresário não precisa resolver todas as etapas da Reforma Tributária de uma só vez. Precisa entender o que muda primeiro e organizar um planejamento progressivo.
O contador ajuda a transformar mudanças complexas em decisões práticas
A Reforma Tributária possui diferentes etapas e particularidades. Para o pequeno empresário, acompanhar cada alteração e entender como ela afeta sua atividade pode ser um desafio.
É nesse momento que o contador assume um papel estratégico.
Mais do que acompanhar a legislação e cumprir obrigações fiscais, esse profissional pode ajudar a empresa a identificar quais mudanças exigem atenção imediata, quais procedimentos precisam ser revistos e quais decisões devem ser planejadas.
Entre as ações importantes estão:
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Avaliar como as novas regras podem afetar a atividade da empresa.
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Verificar possíveis impactos na apuração dos tributos.
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Acompanhar as adaptações necessárias nos documentos fiscais e sistemas.
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Analisar os efeitos sobre os custos e a formação de preços.
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Orientar o empresário sobre as mudanças que devem ser priorizadas.
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Simular cenários para apoiar decisões financeiras e tributárias.
Essa orientação permite que o empresário deixe de agir apenas quando surge uma obrigação e passe a se preparar com antecedência.
Mudanças na jornada de trabalho também preocupam os pequenos negócios
Outro assunto mencionado pelo presidente da Fenacon é a mudança na organização da jornada de trabalho, especialmente a transição da escala 6×1 para a 5×2.
A preocupação está relacionada ao impacto financeiro e operacional que essa alteração pode representar para empresas que trabalham com equipes reduzidas.
Em muitos pequenos negócios, poucos funcionários são responsáveis por manter todo o funcionamento da operação. Uma mudança na distribuição das jornadas pode exigir reorganização dos horários, contratação de novos profissionais ou revisão do atendimento.
Empresas de comércio, alimentação, saúde e serviços presenciais, por exemplo, precisam avaliar como manter suas atividades sem comprometer o atendimento aos clientes.
O desafio é encontrar uma organização que respeite as regras trabalhistas e, ao mesmo tempo, seja financeiramente viável.
Nesse processo, o contador pode ajudar a analisar os custos da folha de pagamento, projetar possíveis despesas com contratações e orientar a organização das informações trabalhistas, observando também as convenções coletivas e a necessidade de apoio jurídico quando aplicável.
Uma mudança na jornada de trabalho não deve ser analisada apenas pelo número de horas trabalhadas. É necessário entender como ela afeta os custos, a produtividade e a capacidade de funcionamento da empresa.
Limite do Simples Nacional: um desafio para quem deseja crescer
Outro ponto levantado pela Fenacon é a necessidade de atualização do limite de faturamento do Simples Nacional.
Atualmente, o limite geral de receita bruta anual para permanência de uma micro ou pequena empresa nesse regime é de R$ 4,8 milhões, observadas as demais condições previstas na legislação.
Na avaliação do presidente da entidade, a ausência de atualização desse limite pode desestimular o crescimento dos negócios.
Isso acontece porque uma empresa que aumenta seu faturamento pode se aproximar do teto permitido e precisar avaliar as consequências tributárias de ultrapassá-lo.
O crescimento, que deveria representar uma conquista, pode trazer novas preocupações quando o empresário não acompanha os limites e não planeja os próximos passos.
Por isso, é importante monitorar o faturamento ao longo do ano e avaliar antecipadamente os possíveis cenários.
O contador pode ajudar a identificar a proximidade dos limites, simular os efeitos de um eventual desenquadramento e comparar alternativas tributárias para que o empresário tome decisões com mais segurança.
O que as pequenas empresas devem fazer agora?
Diante de tantas mudanças, uma das recomendações destacadas pela Fenacon é organizar a preparação por etapas, priorizando aquilo que exige atenção no momento.
Em vez de tentar resolver todos os assuntos ao mesmo tempo, o empresário pode começar com algumas medidas:
1. Converse com seu contador sobre a Reforma Tributária
Entenda quais mudanças estão previstas para a atividade da empresa e quais adaptações precisam ser iniciadas.
2. Revise os processos fiscais
Verifique se os sistemas, cadastros, documentos fiscais e procedimentos internos estão preparados para as novas exigências.
3. Acompanhe o faturamento
Monitore a receita acumulada para identificar possíveis aproximações dos limites do Simples Nacional e evitar decisões de última hora.
4. Avalie os custos com funcionários
Se a organização da jornada de trabalho mudar, será necessário entender como isso pode afetar a folha, as contratações e o funcionamento da empresa.
5. Revise preços e margens
Mudanças tributárias e trabalhistas podem afetar os custos. Por isso, é importante acompanhar a rentabilidade dos produtos e serviços.
6. Planeje o crescimento
Antes de ampliar a operação, contratar funcionários ou aumentar o faturamento, avalie os possíveis efeitos tributários e financeiros dessas decisões.
O contador é parte importante da preparação para o futuro da empresa
As preocupações apresentadas pela Fenacon mostram que as pequenas empresas precisam de mais informação e planejamento para acompanhar as transformações do ambiente econômico e tributário.
A Reforma Tributária, as mudanças na jornada de trabalho e a discussão sobre os limites do Simples Nacional são assuntos diferentes, mas possuem algo em comum: todos podem influenciar a organização e os resultados dos negócios.
Nesse cenário, o contador tem a oportunidade de ampliar sua atuação como parceiro estratégico do empresário.
É esse profissional que pode ajudar a interpretar as mudanças, organizar informações, antecipar riscos e apresentar cenários para decisões mais conscientes.
O pequeno empresário não precisa dominar todos os detalhes da legislação, mas precisa ter ao seu lado um profissional capaz de explicar o que muda e como se preparar.
Esperar as mudanças chegarem para só então procurar orientação pode custar caro. O melhor caminho é manter o diálogo com a contabilidade e transformar informação em planejamento.