Com mudanças previstas para dezembro de 2026, empresas precisarão reorganizar equipes, revisar custos e avaliar contratações em um dos períodos mais movimentados do ano. O planejamento contábil será fundamental nessa transição.
O fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho estão entre as mudanças que exigirão atenção dos empresários nos próximos meses. De acordo com as informações divulgadas sobre a nova regra, a transição está prevista para começar em 16 de dezembro de 2026, apenas uma semana antes do Natal.
O calendário preocupa principalmente empresas do comércio, bares, restaurantes e outros estabelecimentos que dependem de equipes presenciais e costumam registrar aumento na demanda durante as festas de fim de ano.
A mudança prevê a substituição da escala 6×1 pela 5×2, com duas folgas semanais, além da redução gradual da jornada de trabalho. Na primeira etapa, a carga horária passaria de 44 para 42 horas semanais. Em dezembro de 2027, a previsão é chegar a 40 horas.
Para os empresários, o desafio não está somente em adaptar os horários dos funcionários. Será necessário avaliar se a estrutura atual da empresa conseguirá manter o atendimento, a produtividade e os resultados financeiros diante das novas exigências.
Por que a mudança preocupa tanto as empresas?
O período escolhido para o início da transição é um dos principais pontos de preocupação.
Dezembro costuma representar uma oportunidade importante de faturamento para diversos segmentos. No varejo, o Natal impulsiona as vendas. Em bares e restaurantes, as confraternizações e os encontros de fim de ano aumentam o movimento.
Ao mesmo tempo, as empresas precisarão reorganizar suas equipes para atender às novas regras.
Segundo levantamento citado pelo Sindilojas-SP, a adaptação da escala no comércio da capital paulista poderia exigir a contratação de aproximadamente 52 mil novos trabalhadores para compensar a redução da carga horária individual.
Pequenos negócios podem enfrentar dificuldades ainda maiores. Muitos estabelecimentos possuem equipes reduzidas e dependem de poucos funcionários para manter o funcionamento diário.
Isso significa que a mudança pode exigir novas contratações, ajustes nos horários de atendimento, reorganização das folgas e revisão dos processos internos.
O impacto pode ir muito além da folha de pagamento
Um dos primeiros pontos que o empresário precisa analisar é o custo com pessoal.
Dependendo da operação, a redução da jornada poderá exigir a contratação de funcionários adicionais para manter o mesmo horário de funcionamento. Também será necessário avaliar os efeitos sobre horas extras, escalas, cobertura de turnos e organização das equipes.
Mas o impacto não termina aí.
Uma empresa que precisa ampliar sua equipe poderá ter aumento nas despesas com salários, encargos e benefícios. Se não conseguir contratar, talvez precise reduzir o horário de atendimento ou reorganizar sua capacidade operacional.
Em ambos os casos, o resultado financeiro pode ser afetado.
Outro ponto importante é a formação dos preços. Quando os custos aumentam, o empresário precisa avaliar se consegue absorver essa diferença ou se será necessário reajustar produtos e serviços. Essa decisão, porém, deve considerar a concorrência, o poder de compra dos clientes e as margens de lucro.
Repassar todos os custos ao consumidor nem sempre é possível.
Pequenas empresas precisam de atenção redobrada
Empresas de pequeno porte geralmente trabalham com equipes enxutas, orçamento limitado e menor capacidade de absorver despesas inesperadas.
Uma loja com quatro funcionários, por exemplo, pode ter dificuldades para manter o mesmo horário de funcionamento se precisar reorganizar as folgas e reduzir a jornada individual.
Um restaurante que funciona durante o almoço e o jantar também precisará avaliar como distribuir os profissionais entre os diferentes períodos de atendimento.
Já uma empresa que depende de atendimento presencial aos finais de semana terá de analisar cuidadosamente a cobertura das equipes.
O risco é tentar resolver tudo de última hora, tomando decisões sem conhecer o impacto financeiro de cada alternativa.
Por isso, a preparação precisa começar com um diagnóstico da operação.
O papel do contador será fundamental nessa transição
É nesse momento que o contador ganha ainda mais importância na gestão das empresas.
A mudança na jornada de trabalho exige uma análise que vai além do departamento pessoal. O empresário precisa entender como as novas regras podem afetar seus custos, sua capacidade de atendimento e sua rentabilidade.
Com o apoio do contador, é possível transformar essas preocupações em planejamento.
1. Simular o impacto na folha de pagamento
O primeiro passo é avaliar como a reorganização das jornadas poderá afetar a folha, considerando a estrutura atual da equipe, as necessidades de cobertura e eventuais contratações.
2. Avaliar a necessidade de novos funcionários
Antes de contratar, é importante calcular se a empresa realmente precisará ampliar a equipe, quantos profissionais serão necessários e qual será o custo total dessa decisão.
3. Revisar o fluxo de caixa
O empresário precisa saber se terá condições de suportar possíveis aumentos nas despesas mensais, principalmente em um período que também envolve pagamento do 13º salário, férias e outras obrigações.
4. Analisar os preços e as margens de lucro
Com a estimativa dos novos custos, o contador pode ajudar a identificar quais produtos e serviços poderão ter sua rentabilidade comprometida e simular diferentes possibilidades de reajuste.
5. Planejar contratações e despesas
A contratação de temporários, a reorganização de turnos e os investimentos necessários para manter a operação devem ser avaliados com antecedência.
6. Acompanhar as obrigações trabalhistas
A adaptação também exige atenção às regras de jornada, intervalos, descansos, acordos e convenções coletivas aplicáveis à categoria. O contador pode apoiar o empresário no acompanhamento dessas obrigações, trabalhando em conjunto com profissionais jurídicos quando necessário.
O que sua empresa pode começar a fazer agora?
Esperar a mudança chegar para só então reorganizar a operação pode aumentar os riscos de erros e decisões precipitadas.
Algumas medidas podem ser iniciadas desde já:
- Faça um levantamento da jornada e dos horários atuais de todos os funcionários.
- Identifique os períodos de maior movimento e as funções essenciais para o funcionamento.
- Avalie se a equipe atual consegue manter o atendimento com a nova organização.
- Calcule o custo de possíveis contratações.
- Revise despesas fixas, estoques e desperdícios.
- Simule o impacto das mudanças sobre o faturamento e a margem de lucro.
- Converse com o contador sobre as obrigações e os ajustes necessários.
- Verifique as convenções coletivas e as orientações aplicáveis ao seu setor.
O planejamento deve considerar a realidade de cada negócio. Uma loja, um restaurante e uma empresa de serviços podem enfrentar desafios muito diferentes, mesmo estando sujeitos às mesmas mudanças gerais.
Não espere dezembro para descobrir quanto a mudança vai custar
A transição para a escala 5×2 representa uma mudança importante na organização do trabalho e exigirá adaptação de empresas de diferentes portes e segmentos.
Para o empresário, o desafio será encontrar o equilíbrio entre cumprir as novas regras, manter a qualidade do atendimento e preservar a saúde financeira do negócio.
Nesse cenário, o contador deixa de atuar apenas no fechamento da folha e passa a ter um papel ainda mais relevante no planejamento empresarial. É ele quem pode ajudar a projetar custos, analisar cenários, organizar informações e orientar decisões com base na realidade financeira da empresa.
A pergunta não é apenas se sua empresa conseguirá adotar a nova escala. A pergunta é se ela conseguirá fazer essa transição sem comprometer sua operação e sua rentabilidade.
Quanto antes o empresário começar a conversar com seu contador, maiores serão as possibilidades de identificar problemas, avaliar alternativas e se preparar para as mudanças.
Fonte
- Diário do Comércio — reportagem sobre a preocupação dos empresários com o prazo de adaptação à escala 5×2 antes do Natal.
- Ministério do Trabalho e Emprego — informações e orientações sobre relações de trabalho.
- Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) — legislação trabalhista.