A Reforma Tributária não vai exigir apenas mudanças nas leis. As empresas também precisarão adaptar sistemas, processos internos e equipes para trabalhar com a nova forma de cobrança de impostos, que terá a CBS e o IBS.
Uum dos maiores desafios será fazer com que os sistemas das empresas e dos órgãos públicos funcionem corretamente em conjunto.
Na prática, não basta entender as novas regras. É preciso fazer com que elas funcionem dentro da rotina da empresa.
Se essa adaptação não for bem feita, podem surgir problemas como aumento de custos, erros nos processos e dificuldades para calcular e aproveitar corretamente os créditos tributários.
Os sistemas precisarão mudar
A Reforma Tributária muda a forma como os impostos serão calculados, pagos e aproveitados pelas empresas.
Por isso, programas usados para emitir notas fiscais, controlar o financeiro, calcular impostos, formar preços e administrar a empresa precisarão ser atualizados.
Não será apenas uma questão de instalar uma nova versão do sistema. Em muitos casos, será necessário revisar processos inteiros para que eles funcionem de acordo com as novas regras.
Outro ponto de atenção é a comunicação entre os sistemas das empresas e os sistemas do governo. Se houver problemas nessa integração, erros podem aparecer no cálculo dos impostos e no aproveitamento dos créditos, gerando impactos financeiros.
Empresas terão que lidar com dois sistemas
A transição será gradual.
A partir de 2027, as empresas começarão a conviver com os impostos do sistema atual e com os novos tributos da Reforma Tributária. Essa mudança acontecerá aos poucos e está prevista para ser concluída em 2033.
Durante esse período, será necessário investir em tecnologia, treinamento e revisão dos processos internos para reduzir erros e manter a operação funcionando corretamente.
Pequenas empresas podem sentir mais dificuldade
A adaptação também deve aumentar a procura por profissionais que entendam de tributação, tecnologia e análise de dados.
Empresas maiores já estão formando equipes específicas para acompanhar a mudança. Para empresas menores, porém, o desafio pode ser maior, principalmente por causa dos custos para atualizar sistemas e contratar profissionais especializados.
Isso pode criar uma diferença entre empresas que conseguem investir rapidamente em tecnologia e aquelas que precisam depender de soluções mais simples e acessíveis oferecidas pelo mercado.
A inteligência artificial pode ajudar
A inteligência artificial também pode ser uma aliada nesse processo.
Ela pode ajudar as empresas a identificar erros, conferir informações, automatizar tarefas e analisar grandes volumes de dados fiscais.
Mas é importante entender o limite dessa tecnologia: a IA pode facilitar o trabalho, mas não substitui a análise de profissionais que conhecem a legislação e a realidade da empresa.
Durante a transição, novas dúvidas e discussões também devem surgir, principalmente sobre o aproveitamento de créditos e a classificação das operações.
O que muda para as empresas?
A Reforma Tributária foi aprovada em 2023 e criou um novo modelo de cobrança de impostos sobre o consumo. Entre as principais mudanças estão a criação do IBS, da CBS e do Imposto Seletivo, além de uma transição que vai até 2033.
Isso significa que as empresas terão alguns anos para adaptar seus sistemas e processos ao novo modelo.
Os principais prazos são:
- 2024: começaram a ser enviados ao Congresso os projetos necessários para regulamentar a Reforma Tributária;
- 2026: começa a fase de testes, com CBS de 0,9% e IBS de 0,1%, com regras específicas de compensação;
- 2027: a CBS começa a substituir o PIS e a Cofins. O IPI também será reduzido a zero para a maioria dos produtos, com exceções relacionadas à Zona Franca de Manaus;
- 2029 a 2032: ICMS e ISS serão reduzidos gradualmente, enquanto o IBS será ampliado;
- 2033: termina a transição e o novo modelo passa a funcionar plenamente, com a substituição do ICMS e do ISS pelo IBS.
Em resumo
A Reforma Tributária não é apenas uma mudança na forma de calcular impostos.
Ela também vai mudar a maneira como as empresas trabalham, emitem notas, controlam preços, organizam informações e administram seus tributos.
Por isso, quanto antes a empresa começar a avaliar seus sistemas e processos, maior será a chance de fazer uma transição tranquila e evitar problemas no futuro.




