Mais de 817 mil empresas já solicitaram a opção pelo regime regular de IBS e CBS dentro do Simples Nacional. O número representa um crescimento de quase 400% em apenas 12 dias e mostra que muitas empresas estão avaliando como a Reforma Tributária poderá afetar seus negócios.
A escolha de como recolher IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) está movimentando as empresas do Simples Nacional.
Até 30 de setembro de 2026, a Receita Federal havia registrado 817.461 solicitações para que empresas do Simples passassem a recolher IBS e CBS pelo regime regular.
Esse modelo ficou conhecido como Simples Híbrido.
O número chama atenção pelo crescimento rápido.
Em 18 de setembro, eram aproximadamente 165 mil solicitações.
Em 30 de setembro, o número chegou a mais de 817 mil.
Isso representa um crescimento de 395,3% em 12 dias.
Mas o número, por si só, não significa que o modelo híbrido seja melhor para todas as empresas.
A decisão precisa considerar a realidade de cada negócio.
O que é o Simples Híbrido?
Para entender a mudança, primeiro é preciso lembrar como funciona o Simples Nacional atualmente.
As empresas optantes pelo regime recolhem diversos tributos por meio de uma única guia, o DAS — Documento de Arrecadação do Simples Nacional.
Com a Reforma Tributária, surge uma nova possibilidade para o tratamento do IBS e da CBS.
A empresa poderá continuar no Simples Nacional, mas escolher recolher IBS e CBS pelo regime regular, separadamente do DAS.
É isso que está sendo chamado de Simples Híbrido.
De forma simplificada:
Simples Tradicional
A empresa permanece com o tratamento tradicional.
Tributos do Simples → DAS
IBS e CBS permanecem dentro da sistemática aplicável ao Simples.
Simples Híbrido
A empresa continua no Simples Nacional para os demais tributos.
Mas:
IBS → recolhimento pelo regime regular
CBS → recolhimento pelo regime regular
Ou seja, a empresa passa a ter uma espécie de combinação entre os dois sistemas.
É por isso que o modelo é chamado de híbrido.
Por que tantas empresas estão avaliando essa opção?
Uma das razões está relacionada aos créditos de IBS e CBS.
No regime regular, existe uma sistemática de créditos que pode ser relevante para empresas que vendem para outras empresas.
Isso acontece porque o tratamento tributário de uma empresa pode afetar também seus clientes.
Imagine uma empresa do Simples que fornece mercadorias para uma indústria.
Se a indústria precisa aproveitar créditos tributários, o tratamento do fornecedor pode influenciar a decisão de compra.
Por isso, para algumas empresas, a possibilidade de recolher IBS e CBS pelo regime regular pode ser importante para sua competitividade.
Mas isso não significa que a opção seja vantajosa em qualquer situação.
Mais de 817 mil empresas já fizeram a solicitação
Segundo os dados divulgados pela Receita Federal, até 30 de setembro foram registradas:
817.461 solicitações pelo regime regular de IBS e CBS;
392 mil solicitações de opção pelo próprio Simples Nacional.
Entre as solicitações de entrada no Simples Nacional:
- cerca de 145 mil foram deferidas;
- aproximadamente 246 mil foram indeferidas.
As solicitações indeferidas ainda estavam dentro do prazo legal para que as empresas regularizassem as pendências que impediam a opção.
Considerando aproximadamente 7 milhões de CNPJs ativos enquadrados no Simples Nacional, as 817 mil solicitações pelo regime regular de IBS e CBS representam cerca de 11,6% desse universo, segundo os dados mencionados pela Receita.
O número de adesões cresceu quase 400%
O crescimento registrado em poucos dias foi expressivo.
Em 18 de setembro, havia aproximadamente:
165 mil solicitações.
Em 30 de setembro, o número chegou a:
817.461 solicitações.
Isso representa um crescimento de:
395,3%
em apenas 12 dias.
Esse movimento mostra que muitas empresas passaram a analisar a escolha com maior atenção à medida que o prazo se aproximou.
Mas existe um ponto importante:
quantidade de adesões não significa que o modelo híbrido seja a melhor escolha para a maioria das empresas.
A decisão precisa ser individualizada.
Simples Tradicional ou Simples Híbrido?
Essa é provavelmente a principal pergunta que o empresário precisa responder.
A escolha deve considerar as características do negócio.
Entre os pontos que merecem análise estão:
- quem são os clientes;
- quem são os fornecedores;
- se a empresa vende para outras empresas;
- se os clientes precisam de créditos de IBS e CBS;
- qual é a margem de lucro;
- qual é a estrutura de custos;
- qual será o impacto financeiro do novo modelo;
- como ficarão os preços;
- e como a mudança afetará a competitividade.
Por isso, não é recomendável escolher o modelo simplesmente porque outras empresas estão fazendo a mesma opção.
O que funciona para uma empresa pode não funcionar para outra.
Um exemplo simples
Imagine duas empresas do Simples.
Empresa A
Vende principalmente para consumidores finais.
Nesse caso, a geração de créditos para clientes pode ter importância diferente.
Empresa B
Vende principalmente para outras empresas.
Se seus clientes valorizam o aproveitamento de créditos de IBS e CBS, o tratamento tributário da operação pode ganhar maior relevância na negociação.
As duas empresas estão no mesmo regime.
Mas suas necessidades comerciais são diferentes.
Por isso, a decisão sobre o modelo pode ser diferente.
E o prazo?
O prazo é um dos pontos mais importantes neste momento.
Segundo o conteúdo divulgado, o Comitê Gestor do Simples Nacional prorrogou para 30 de outubro de 2026 o prazo para opção pelo regime regular de IBS e CBS para o período de janeiro a junho de 2027.
Isso dá às empresas mais tempo para analisar a decisão.
Além disso, o prazo para opção pelo próprio Simples Nacional em 2027 também foi alterado.
A escolha deverá ser feita entre:
1º de setembro e 15 de outubro de 2026.
Os efeitos começam em:
1º de janeiro de 2027.
Existe prazo para desistir?
Sim.
De acordo com o conteúdo analisado, as empresas poderão cancelar, em caráter irretratável, tanto a opção pelo Simples Nacional quanto a escolha pelo regime regular de IBS e CBS entre:
3 de novembro e 20 de dezembro de 2026.
Essa alteração é importante porque amplia o período para que a empresa avalie sua decisão.
O novo calendário permite que a empresa faça uma análise mais completa antes de confirmar definitivamente sua escolha.
Por que dezembro será importante?
Existe outro fator que pode influenciar a decisão.
A definição da alíquota da CBS para 2027 deverá ocorrer até 15 de dezembro, segundo o conteúdo da matéria.
Com isso, a empresa poderá ter informações mais concretas para avaliar o impacto financeiro da escolha.
Isso é relevante porque uma decisão tributária não deve ser tomada apenas olhando para conceitos como “crédito” ou “regime regular”.
É necessário calcular o impacto real.
O que o empresário deve analisar antes de escolher?
Em vez de perguntar apenas:
“Qual opção paga menos imposto?”
o empresário deveria fazer perguntas mais completas.
1. Quem são meus clientes?
A empresa vende principalmente para pessoas físicas ou para outras empresas?
2. Meus clientes precisam de créditos?
Se os principais clientes forem empresas, o tratamento dos créditos pode ganhar importância comercial.
3. Quem são meus fornecedores?
A estrutura tributária das compras também precisa entrar na análise.
4. Como ficam meus preços?
A mudança pode afetar a formação dos preços e a competitividade.
5. Qual será minha margem?
É necessário comparar o resultado esperado nos dois modelos.
6. Como fica meu fluxo de caixa?
O novo sistema pode mudar o momento e a forma como determinados valores são recolhidos.
7. Meu sistema está preparado?
A empresa precisará estar preparada para lidar com as novas informações fiscais e tributárias.
Não escolha apenas porque “todo mundo está escolhendo”
O crescimento de quase 400% nas solicitações chama atenção, mas não deve ser interpretado como uma recomendação automática pelo modelo híbrido.
Esse é um ponto importante.
A adesão de outras empresas não prova que o modelo seja mais vantajoso para o seu negócio.
Uma empresa pode ter grande benefício comercial com o regime regular de IBS e CBS, enquanto outra pode ter uma estrutura completamente diferente.
A decisão precisa partir de números.
O contador terá papel importante nessa escolha
Essa análise não deve ser feita olhando apenas para a carga tributária.
O contador pode ajudar a empresa a comparar cenários e identificar os impactos em:
- tributação;
- créditos;
- preços;
- margens;
- clientes;
- fornecedores;
- fluxo de caixa.
O ideal é fazer uma simulação dos dois modelos antes da decisão definitiva.
Em vez de simplesmente dizer:
“Escolha o híbrido.”
ou
“Continue no Simples tradicional.”
o mais adequado é responder:
“Considerando seus clientes, fornecedores, margens e estrutura de custos, qual modelo faz mais sentido para sua empresa?”
Checklist para o empresário
Antes de confirmar a escolha, vale verificar:
☐ Minha empresa vende para outras empresas?
☐ Meus clientes poderão se beneficiar dos créditos de IBS e CBS?
☐ Minha empresa terá créditos relevantes nas compras?
☐ Como o novo modelo afeta meus preços?
☐ Como ficam minhas margens?
☐ Qual será o impacto no fluxo de caixa?
☐ Meu sistema está preparado para as novas regras?
☐ Meu contador simulou os dois cenários?
Se essas perguntas ainda não foram respondidas, talvez seja cedo para escolher apenas com base na tendência de mercado.
Conclusão
A procura pelo chamado Simples Híbrido cresceu rapidamente em setembro de 2026.
Até o dia 30, a Receita Federal havia registrado 817.461 solicitações pelo regime regular de IBS e CBS, contra aproximadamente 165 mil apenas 12 dias antes.
O crescimento de 395,3% mostra que a escolha passou a receber maior atenção das empresas.
Mas o número de adesões não significa que o modelo híbrido seja automaticamente a melhor opção.
A decisão precisa considerar a realidade de cada empresa.
Clientes, fornecedores, créditos tributários, preços, margens, fluxo de caixa e competitividade precisam entrar na conta.
Com os novos prazos, as empresas terão mais tempo para analisar a decisão e, conforme o calendário divulgado, poderão cancelar a opção dentro da janela prevista em novembro e dezembro.
Por isso, a melhor estratégia não é escolher pelo que outras empresas estão fazendo.
É colocar os números da própria empresa na mesa e comparar os dois cenários.
A Reforma Tributária pode mudar a relação entre empresas do Simples e seus clientes e fornecedores.
E, nesse novo cenário, a escolha do regime deixa de ser apenas uma decisão tributária e passa a ser também uma decisão comercial e estratégica.